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26 de junho de 2009

Jardim do Paço do Cardido

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Há jardins invadidos de luar
Que vibram no silêncio como liras.
Segura o teu amor entre os teus dedos
Neste jardim de Abril em que respiras.

A vida não virá – as tuas mãos
Não podem colher noutras a doçura
Das flores baloiçando ao vento leve.

Fosse o teu corpo feito de luar,
Fosses tu o jardim cheio de lagos,
As árvores em flor, a profusão
Da tua sombra negra nos caminhos

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética I

15 de junho de 2009

Jardins com História

10 comentários

Só o ter flores pela vista fora
Nas áleas largas dos jardins exactos
Basta para podermos
Achar a vida leve

De todo o esforço seguremos quedas
As mãos brincando, pra que nos não tome
Do pulso, e nos arraste.
E vivamos assim.

Buscando o mínimo de dor ou gozo,
Bebendo a goles os instantes frescos,
Translúcidos como água
Em taças detalhadas.

Da vida pálida levando apenas
As rosas breves, os sorrisos vagos,
E as rápidas carícias
Dos instantes volúveis.

Pouco tão pouco pensará nos braços
Como que exilados das supremas luzes,
Escolhemos do que fomos
O melhor para lembrar.

Ricardo Reis, in Odes
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